Dois anos atrás, usar um modelo de linguagem em português era uma experiência frustrante. As respostas em inglês eram notavelmente melhores; o modelo parecia "pensar" em inglês e traduzir, com todos os problemas que isso implica.
Em 2026, o cenário mudou. Modelos como o GPT-4o, Claude 3.5 e Gemini 1.5 Pro têm desempenho em português que se aproxima do inglês em muitas tarefas. E modelos específicos para o português, como o Sabiá-3 da Maritaca AI, mostram vantagens claras em contextos culturais e legais brasileiros.
O Que Melhorou
A melhora mais notável é na compreensão de nuances culturais e contextuais. Expressões idiomáticas, referências culturais, o humor brasileiro, as especificidades do direito e da burocracia nacionais — tudo isso era um ponto fraco dos modelos anteriores.
Também melhorou significativamente o desempenho em tarefas técnicas em português: código com comentários em português, documentos jurídicos, análise de textos acadêmicos brasileiros.
O Que Ainda Falta
As lacunas persistentes são reveladoras. Dialetos regionais — o nordestino, o gaúcho, o caipira — ainda causam dificuldades. Gírias recentes, especialmente as que emergem das periferias e das redes sociais, chegam aos modelos com atraso.
Mais importante: dados históricos sobre o Brasil são sub-representados nos corpora de treinamento. Pergunte a um LLM sobre a história do Contestado ou sobre a literatura de Graciliano Ramos e você verá a diferença em relação a perguntas sobre história americana ou literatura inglesa.